AS CONTRIBUIÇÕES DO CICLO FORMATIVO PARA PROFESSORAS(ES) E GESTORAS(ES) DA EDUCAÇÃO INFANTIL E O PROCESSO DE FORTALECIMENTO DO REGIME DE COLABORAÇÃO NO ESTADO DO CEARÁ
Palavras-chave:
Educação Infantil - Regime de Colaboração - Formação Continuada de Professora(or) e Gestoras(es).Resumo
Este artigo analisa o Acordo de Cooperação Técnica entre o Estado do Ceará e seus municípios, compreendido como eixo estruturante das políticas formativas voltadas à Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com incursão histórica e análise documental, a fim de compreender como essa forma de governança compartilhada, mediada pelas CREDEs, sustentada por princípios de Regime de Colaboração, tem possibilitado o desdobramento das formações continuadas e em serviço, o intercâmbio de saberes e a consolidação de uma rede colaborativa de aprendizagem nos 184 municípios cearenses. Nesse sentido, analisa-se também o percurso histórico da formação continuada de gestoras(es) e de professoras(es), organizada por uma equipe de profissionais que atuam na primeira etapa da Educação Básica, na Seduc/Sede. Essa formação, planejada e realizada pela Coordenadoria de Educação e Promoção Social (COEPS) e pela Célula de Apoio e Desenvolvimento da Educação Infantil (CADIN), em parceria com as redes municipais, tem como propósito fortalecer a identidade profissional de gestoras(es) e de professoras(es), promover a equidade educacional e favorecer condições humanas e pedagógicas que assegurem o desenvolvimento integral das crianças. A formação continuada, por sua vez, desdobra-se com o intuito de alcançar todas(os) profissionais da Educação Infantil nos 184 municípios cearenses, contando com o apoio das CREDEs, o que legitima e fortalece o Regime de Colaboração. O referencial teórico ancora-se em autoras(es) como Nóvoa (1995), Imbernón (2010), Oliveira-Formosinho (2002, 2009, 2011), Kramer (2008), Fochi (2013), Rosemberg (1999) e Ostetto (2000, 2011), que concebem a formação como processo identitário, colaborativo, reflexivo e ético. Destaca-se, ainda, a contribuição de Fochi (2013), ao valorizar a escuta sensível, a documentação pedagógica e o protagonismo infantil como instrumentos de reflexão e transformação da prática docente, de Fúlvia Rosemberg (1999), ao compreender a formação como eixo de construção da qualidade social e da equidade na Educação Infantil, e de Ostetto (2000, 2011) que a defende como processo contínuo, coletivo e reflexivo, no qual a(o) professora(or) constrói relações com a(o) outra(o) e com a prática. As ações formativas desenvolvidas no Ceará configuram-se, assim, como prática sociopolítica de valorização docente, de fortalecimento da gestão democrática e de promoção da qualidade social e equitativa da Educação Infantil.
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